A importância de se contruir cenários em um ambiente conturbado


Nos últimos 20 anos, muito se falou sobre a necessidade de se estar preparado para o impensável, sobre o mundo VUCA, os cisnes negros e outros anacronismos e expressões que retratam um mundo onde a mudança é a única constante na vida das pessoas e das corporações. Se ainda havia alguma dúvida de que essa era a realidade com a qual empresas e indivíduos teriam que lidar no século XXI, o surgimento do novo coronavírus deixou claro, até para os mais céticos, que ninguém está livre desse admirável mundo novo.

É nesse contexto que o planejamento por cenários mostra o seu valor. Embora pouco utilizado no mundo corporativo, especialmente no Brasil, nós, como indivíduos, estamos constantemente construindo cenários em nossa vida cotidiana, seja conscientemente, como quando planejamos uma viagem considerando os imprevistos no trajeto, bem como durante o trajeto, quando dirigimos pela estrada movimentada, lendo o ambiente e tentando antecipar os movimentos dos outros motoristas.

Como podemos ver, o planejamento por cenários é uma ferramenta poderosa para antecipar e gerenciar mudanças em um ambiente turbulento. Ao avaliar diferentes cenários, antecipando possíveis problemas, a organização (ou o indivíduo) aumenta as chances de sucesso na resolução da questão abordada, seja ela de curto, médio ou longo prazo.

Mas, qual a diferença entre o planejamento por cenários e o planejamento tradicional? Ao contrário da abordagem tradicional que parte da previsão de um conjunto definido de indicadores, o planejamento por cenários parte da consideração de diferentes futuros plausíveis criados a partir das visões de como as grandes incertezas podem evoluir ao longo do tempo.

Existem várias técnicas consagradas para a construção desses cenários, porém, todas elas partem do mesmo princípio: ler o ambiente, identificar as forças que atuam no seu problema e entender como elas se correlacionam. Ao criar essa correlação, parte-se para a criação dos cenários em si, onde normalmente se obtém algo entre 2 e 5 narrativas diferentes, cada narrativa deve ser detalhada o suficiente para que se possa avaliar as chances de sucesso das diferentes opções estratégicas.


É importante destacar que a boa construção de cenários deve ser ajustada para o contexto com o qual se está lidando e que cada empresa deve construir seu próprio conjunto de cenários para que possa enfrentar seus desafios internos e externos.

Por fim, a construção de cenários serve a diferentes propósitos; o fato de pensar em múltiplos futuros pode ser a oportunidade para se identificar problemas ou até mesmo oportunidades que passariam despercebidos em outros processos de tomada de decisão. Pense em quanto dinheiro ficou na mesa em 2020 pelo fato de muitas empresas terem se preparado apenas para um ano catastrófico sem considerar o fato de que a retomada da economia no segundo semestre era uma possibilidade plausível.

Se esse é o seu caso, talvez você devesse considerar a construção de cenários antes de tomar a sua próxima decisão.


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